A ressurreição é uma resposta para a morte. Mas a morte é um assunto tão desagradável que a gente prefere achar que ela só é para os outros. Mesmo assim, chega até nós uma pergunta que nos atinge diretamente: "O que vem depois da morte?" "Depois da morte a gente..." Alguns acham que nós desaparecemos com a morte.
Outros dizem que ninguém sabe o que vem depois. Uns dizem que somos umas energias cósmicas, que ao morrer voltamos à energia do universo.
E pela reencarnação se diz que após a morte voltamos em diferentes corpos sucessivas reencarnações, até atingir a perfeição e não precisar mais voltar.
A fé cristã afirma que a ressurreição é uma transformação de nós, pelo poder amoroso de Deus. Assim, a morte física não é o fim, mas uma passagem ou etapa de nossa vida. Na missa dos mortos, rezamos: "Para quem crê, a vida não é tirada, mas transformada".
A ressurreição não quer dizer imortalidade da alma, que voltaria para um corpo que morreu. Ela é antes de tudo a transformação da pessoa integralmente. Transformação? Em que consiste? Sobre isso uma vez uma criança deu uma resposta genial: "Quando a gente morre, a gente passa para outra dimensão; a gente nunca vai entender direito isto enquanto não passar por ela". Esta é uma explicação interessante, mas que pode ser melhorada. A transformação final na morte física assusta, pois é desconhecida. Então, a gente não tem pressa de "passar desta para a melhor". Mas antes dessa transformação, há muitas outras que são como ensaios da ressurreição final. Nossa vida é uma história que se desenrola: estamos sempre morrendo para isto e nascendo para aquilo. A fé cristã já coloca a ressurreição quando morremos para o egoísmo e nascemos para o amor.
Essa morte também não é fácil, mas por ser diluída, às vezes a gente percebe menos. Ou então nos descuidamos de assumir e treinar a ressurreição. De fato, a ressurreição pode ser entendida como um caminho que a gente escolhe. Por isso São Paulo adverte: "Se vocês ressuscitaram com Cristo, busquem as coisas do alto". Uma condição indispensável para a ressurreição final e de cada dia é a confiança em Deus.
Pe Márcio Fabri dos Anjos. C.SS.R.
Revista de Aparecida
terça-feira, 26 de abril de 2011
O CÍRIO PASCAL
É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal. A palavra "círio" vem do latim "cereus", de cera. O produto das abelhas. O círio mais importante é o que é aceso na vigília Pascal como símbolo de Cristo – Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita de noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira previamente preparada se acende o Círio, que tem uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Omega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcançam com força sempre nova no ano concreto em que vivemos.
O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz. Na procissão de entrada da Vigília se canta por três vezes a aclamação ao Cristo: "Luz de Cristo. Demos graças a Deus", enquanto progressivamente vão se acendendo as velas dos presentes e as luzes da Igreja. Depois o círio é colocado na coluna ou candelabro que vai ser seu suporte, e se proclama em torno a ele, depois de incensá-lo, o solene Pregão Pascal.
Além do simbolismo da luz, o Círio Pascal tem também o da oferenda, como cera que se consome em honra a Deus, espalhando sua Luz: "aceita, Pai Santo, o sacrifício vespertino desta chama, que a santa Igreja te oferece na solene oferenda deste círio, trabalho das abelhas. Sabemos já o que anuncia esta coluna de fogo, ardendo em chama viva para glória de Deus... Rogamos-te que este Círio, consagrado a teu nome, para destruir a escuridão desta noite".
O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do tempo pascal, ao lado do ambão da Palavra, ate´a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, quer dizer no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.
O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz. Na procissão de entrada da Vigília se canta por três vezes a aclamação ao Cristo: "Luz de Cristo. Demos graças a Deus", enquanto progressivamente vão se acendendo as velas dos presentes e as luzes da Igreja. Depois o círio é colocado na coluna ou candelabro que vai ser seu suporte, e se proclama em torno a ele, depois de incensá-lo, o solene Pregão Pascal.
Além do simbolismo da luz, o Círio Pascal tem também o da oferenda, como cera que se consome em honra a Deus, espalhando sua Luz: "aceita, Pai Santo, o sacrifício vespertino desta chama, que a santa Igreja te oferece na solene oferenda deste círio, trabalho das abelhas. Sabemos já o que anuncia esta coluna de fogo, ardendo em chama viva para glória de Deus... Rogamos-te que este Círio, consagrado a teu nome, para destruir a escuridão desta noite".
O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do tempo pascal, ao lado do ambão da Palavra, ate´a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, quer dizer no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Como ir à Missa e não perder a fé.
Como ir à Missa e não perder a fé.
Bux: “No campo litúrgico, estamos frente a uma desregulação insuportável”
Por Maria helena Finessi
ROMA, terça-feira, 8 de março de 2011 (ZENIT.org) - Um enfraquecimento da fé e a diminuição do número de fiéis poderiam ser atribuídos aos abusos litúrgicos e às Missas ruins, quer dizer, às que traem seu sentido original e onde, no centro, já não está Deus, mas o homem, com a bagagem de suas perguntas existenciais.
Essa é uma idéia sustentada por Nicola Bux, teólogo e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.
Apresentado em Roma no dia 2 de março, em seu livro "Come andare a Messa e non perdere la fede" [Como ir à Missa e não perder a fé, N. do T.], Bux lança-se contra a virada antropológica da liturgia.
Bux replica a quantos criticaram Bento XVI, acusando-o de ter traído o espírito conciliar. Ao contrário – argumenta o teólogo – os documentos oficiais do Concílio Vaticano II foram traídos precisamente por essas pessoas, bispos e sacerdotes à frente, que alteraram a liturgia com “deformações ao limite do suportável”.
Participar de uma celebração eucarística pode significar, de fato, também se encontrar perante as formas litúrgicas mais estranhas, com sacerdotes que discutem economia, política e sociologia, tecendo homilias em que Deus desaparece. Proliferam os ensaios de antropologia litúrgica até reduzir a esta dimensão os próprios sinais sacramentais, “agora chamados – denuncia Bux – preferivelmente de símbolos”. A questão não é pequena: enfrentá-la implica ser tachado de anticonciliar.
Todos se sentem com o direito de ensinar e praticar uma liturgia “ao seu modo”, tanto que hoje é possível assistir, por exemplo, “à afirmação de políticos católicos que, considerando-se ‘adultos’, propõem idéias de Igreja e de moral em contraste com a doutrina”.
Entre aqueles que iniciaram esta mudança, Bux recorda Karl Rahner, quem, à raiz do Concílio, denunciava a reflexão teológica então imperante que, em sua opinião, mostrava-se pouco atenta ou esquecida da realidade do homem.
O jesuíta alemão sustentava em contrapartida que todo discurso sobre Deus brotaria da pergunta que o homem lança sobre si mesmo. Em consequência – esta é a síntese – a tarefa da teologia deveria ser falar do homem e de sua salvação, lançando as perguntas sobre si e sobre o mundo. Um pensamento teológico que, com triste evidência, foi capaz de gerar erros, o mais clamoroso dos quais é o modo de entender o sacramento, hoje já não sentido como procedente do Alto, de Deus, mas como participação em algo que o cristão já possui.
“A conclusão que Häuβling tira disso – recuerda Bux – é que o homem, nos sacramentos, acabaria por participar de uma ação que não corresponde realmente a sua exigência de ser salvo”, já que abre mão da intervenção divina. A semelhante tese “sacramental” e à derivação anexa da liturgia, responde Joseph Ratzinger, que já no dorso do volume XI, “Teologia da Liturgia”, de sua Opera omnia, escreve: “Na relação com a liturgia se decide o destino da fé e da Igreja”.
A liturgia é sagrada, de fato, se tiver sua regra. Apesar disso, se por um lado o ethos, ou seja, a vida moral, é um elemento claro para todos, por outro lado, ignora-se quase totalmente que existe também um “jus divinum”, um direito de Deus a ser adorado. “O Senhor é zeloso de suas competências – sustenta Bux –, e o culto é o que lhe é mais próprio. Em contrapartida, precisamente no campo litúrgico, estamos frente a uma desregulação”.
Sublinhando, em contrapartida, que sem “jus” o culto torna-se necessariamente idolátrico, em seu livro o teólogo cita uma passagem da “Introdução ao espírito da liturgia”, de Ratzinger, que escreve: “Na aparência, tudo está em ordem e presumivelmente também o ritual procede segundo as prescrições. E, no entanto é uma queda na idolatria (...), faz-se Deus descer ao nível próprio, reduzindo-o a categorias de visibilidade e compreensibilidade”.
E acrescenta: “trata-se de um culto feito à própria medida (...), converte-se em uma festa que a comunidade faz para si mesma; celebrando-a, a comunidade não faz mais que confirmar a si mesma”. O resultado é irremediável: “Da adoração a Deus se passa a um círculo que gira em torno de si mesmo: comer, beber, divertir-se”. Em sua autobiografia (Mi vida), Ratzinger declara: “Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte do colapso da liturgia”.
Para encerrar, uma sugestão e uma advertência. A primeira é relançar a liturgia romana “olhando para o futuro da Igreja – escreve Bux –, em cujo centro está a cruz de Cristo, como está no centro do altar: Ele, o sumo Sacerdote a quem a Igreja dirige seu olhar hoje, como ontem e sempre”.
A segunda é inequívoca: “se acreditamos que o Papa herdou as chaves de Pedro – conclui –, quem não o obedece, antes de tudo em matéria litúrgica e sacramental, não entra no Paraíso”.
Bux: “No campo litúrgico, estamos frente a uma desregulação insuportável”
Por Maria helena Finessi
ROMA, terça-feira, 8 de março de 2011 (ZENIT.org) - Um enfraquecimento da fé e a diminuição do número de fiéis poderiam ser atribuídos aos abusos litúrgicos e às Missas ruins, quer dizer, às que traem seu sentido original e onde, no centro, já não está Deus, mas o homem, com a bagagem de suas perguntas existenciais.
Essa é uma idéia sustentada por Nicola Bux, teólogo e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.
Apresentado em Roma no dia 2 de março, em seu livro "Come andare a Messa e non perdere la fede" [Como ir à Missa e não perder a fé, N. do T.], Bux lança-se contra a virada antropológica da liturgia.
Bux replica a quantos criticaram Bento XVI, acusando-o de ter traído o espírito conciliar. Ao contrário – argumenta o teólogo – os documentos oficiais do Concílio Vaticano II foram traídos precisamente por essas pessoas, bispos e sacerdotes à frente, que alteraram a liturgia com “deformações ao limite do suportável”.
Participar de uma celebração eucarística pode significar, de fato, também se encontrar perante as formas litúrgicas mais estranhas, com sacerdotes que discutem economia, política e sociologia, tecendo homilias em que Deus desaparece. Proliferam os ensaios de antropologia litúrgica até reduzir a esta dimensão os próprios sinais sacramentais, “agora chamados – denuncia Bux – preferivelmente de símbolos”. A questão não é pequena: enfrentá-la implica ser tachado de anticonciliar.
Todos se sentem com o direito de ensinar e praticar uma liturgia “ao seu modo”, tanto que hoje é possível assistir, por exemplo, “à afirmação de políticos católicos que, considerando-se ‘adultos’, propõem idéias de Igreja e de moral em contraste com a doutrina”.
Entre aqueles que iniciaram esta mudança, Bux recorda Karl Rahner, quem, à raiz do Concílio, denunciava a reflexão teológica então imperante que, em sua opinião, mostrava-se pouco atenta ou esquecida da realidade do homem.
O jesuíta alemão sustentava em contrapartida que todo discurso sobre Deus brotaria da pergunta que o homem lança sobre si mesmo. Em consequência – esta é a síntese – a tarefa da teologia deveria ser falar do homem e de sua salvação, lançando as perguntas sobre si e sobre o mundo. Um pensamento teológico que, com triste evidência, foi capaz de gerar erros, o mais clamoroso dos quais é o modo de entender o sacramento, hoje já não sentido como procedente do Alto, de Deus, mas como participação em algo que o cristão já possui.
“A conclusão que Häuβling tira disso – recuerda Bux – é que o homem, nos sacramentos, acabaria por participar de uma ação que não corresponde realmente a sua exigência de ser salvo”, já que abre mão da intervenção divina. A semelhante tese “sacramental” e à derivação anexa da liturgia, responde Joseph Ratzinger, que já no dorso do volume XI, “Teologia da Liturgia”, de sua Opera omnia, escreve: “Na relação com a liturgia se decide o destino da fé e da Igreja”.
A liturgia é sagrada, de fato, se tiver sua regra. Apesar disso, se por um lado o ethos, ou seja, a vida moral, é um elemento claro para todos, por outro lado, ignora-se quase totalmente que existe também um “jus divinum”, um direito de Deus a ser adorado. “O Senhor é zeloso de suas competências – sustenta Bux –, e o culto é o que lhe é mais próprio. Em contrapartida, precisamente no campo litúrgico, estamos frente a uma desregulação”.
Sublinhando, em contrapartida, que sem “jus” o culto torna-se necessariamente idolátrico, em seu livro o teólogo cita uma passagem da “Introdução ao espírito da liturgia”, de Ratzinger, que escreve: “Na aparência, tudo está em ordem e presumivelmente também o ritual procede segundo as prescrições. E, no entanto é uma queda na idolatria (...), faz-se Deus descer ao nível próprio, reduzindo-o a categorias de visibilidade e compreensibilidade”.
E acrescenta: “trata-se de um culto feito à própria medida (...), converte-se em uma festa que a comunidade faz para si mesma; celebrando-a, a comunidade não faz mais que confirmar a si mesma”. O resultado é irremediável: “Da adoração a Deus se passa a um círculo que gira em torno de si mesmo: comer, beber, divertir-se”. Em sua autobiografia (Mi vida), Ratzinger declara: “Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte do colapso da liturgia”.
Para encerrar, uma sugestão e uma advertência. A primeira é relançar a liturgia romana “olhando para o futuro da Igreja – escreve Bux –, em cujo centro está a cruz de Cristo, como está no centro do altar: Ele, o sumo Sacerdote a quem a Igreja dirige seu olhar hoje, como ontem e sempre”.
A segunda é inequívoca: “se acreditamos que o Papa herdou as chaves de Pedro – conclui –, quem não o obedece, antes de tudo em matéria litúrgica e sacramental, não entra no Paraíso”.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
HISTÓRIA DE UMA PALMEIRA
Certa vez, um homem muito mal se irritou com uma palmeira nova e bela; e afim de prejudicá-la, colocou uma enorme pedra sobre a sua extremidade para que ela não crescesse, depois de alguns anos, porém, ao passar diante dela, viu que ela se tornara bem maior e mais bonita do que todas as outras à sua volta.
A pedra a forçava a palmeira a lançar suas raízes ainda mais profundas para dentro da terra, e desse modo, ela também pôde crescer bem mais alta que as demais.
É que a pedra havia se tornado um desafio para a palmeira; o mesmo se dá com as tentações, isto é, elas são um desafio para cada pessoa, elas obrigam-no a cravar nossas raízes ainda mais profundas em Deus e a depositar nossa confiança cada vez mais nele.
Porque as tentações lhe mostram que a partir de suas próprias forças, a pessoa é incapaz de dar conta delas; os conflitos constantes tornam-no interiormente mais fortes e fazem-no amadurecer como homem.
A vida humana é marcada por conflitos constantes, nós não podemos simplesmente vegetar, devemos enfrentar os ataques que a vida eventualmente nos apresenta.
As tentações, ao contrário, haverão de nos acompanhar até o fim da vida.
Quando rezamos ao senhor: ‘não nos deixeis cair em tentação!’(Mt6, 13), não estamos pedindo para não sermos tentados, uma vez que isso seria até mesmo impossível, mas pedimos para não sermos devorados pela tentação ou fazermos algo que desagrada a Deus.
É isso que quer dizer não cair em tentação.
A tentação obriga-nos a lutar, porque sem a luta não há vitória; vencer, porém, jamais é mérito nosso, nos precisamos fazer experiência de que, através da luta, Cristo age em nós e de repente, nos liberta da luta constante e nos dá uma profunda paz.
Que Deus lhe de força para que você possa superar essas tentações que atrapalha a sua vida. Amém!!!.
(Converse com a família sobre a mensagem.)
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Maria, a Mãe de Jesus.
Maria, a Mãe de Jesus.
Maria, a mãe de Deus, é a obra-prima da missão do Filho e do Espírito. Pela primeira vez no plano de salvação, porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a Morada em que seu Filho e seu Espírito podem habitar entre os homens.
Em Maria, o Espírito realiza o desígnio benevolente do Pai e começa a pôr os homens em comunhão com Cristo. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. Sua virgindade transforma-se em fecundidade única pelo poder do Espírito e da fé.
1) Maria na Bíblia
Maria tem na Bíblia um lugar modesto. Quando aparece é sempre em função de Cristo, e não por si mesma. Sua importância consiste justamente na intimidade das ligações com Jesus.
Na Sagrada Escritura, vemos que Maria é santa, virgem e Mãe do Salvador. Entre todas as criaturas, somente ela esteve presente nos momentos fundamentais da História da Salvação. Sua presença é discreta e, no mais das vezes, silenciosa: sempre pronta a acolher os desígnios de Deus.
Ela assume a tarefa semelhante à de Eva e à de Abraão, tornando-se, com seu sim, acolhedora da Palavra que gerou a vida e mãe de um grande povo.
2) Maria, Mãe de Deus
O Concílio de Éfeso (431) declarou que Maria é a Theotókos (Mãe de Deus). Assim, designa-se unicamente a maternidade em relação à pessoa do Filho: ela não é genitora da divindade, mas sim geradora do Verbo Encarnado.
Reconhecer que Maria como Mãe de Deus significa professar que Jesus, o carpinteiro de Nazaré, o crucificado, é Filho de Deus e Deus ele mesmo. Ele é ao mesmo tempo humano e divino. Em sua pessoa, é Deus mesmo que vive e age em carne humana. Assumindo a nossa natureza, Deus nos mostrou a importância que tem o nosso corpo dentro de seu plano. O rosto de Deus Encarnado foi formado da carne de uma mulher, conferindo uma dignidade imensa a cada ser humano.
O Reino de Deus “já está no meio nós” (Lc 17,21; Mt 4,17). Deus já está dentro da história e é um dos nossos, tendo assumido tudo, menos o pecado. Maria é aquela que, em nosso nome, colaborou para que isso acontecesse.
3) Imaculada Conceição
A Imaculada Conceição de Nossa Senhora (ou seja, concepção sem mácula, sem mancha) refere-se ao privilégio que ela recebeu: foi preservada do pecado original desde o primeiro momento de sua existência. Por isso, foi livre também da inclinação ao pecado pessoal, desde o início de sua existência e ao longo de toda a sua vida.
A razão dessa graça excepcional reside na vocação que recebeu – a mais sublime das vocações: ser Mãe do Filho de Deus. Seu privilégio não reside, pois, em seus próprios méritos, mas nos merecimentos que Jesus Cristo adquiriria para a humanidade.
Duas passagens bíblicas estão no fundamento dessa verdade de fé:
-Gn 3,15: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Cristo e Maria são inimigos do demônio. Como poderia a Mãe do Filho de Deus ficar sob o seu domínio, mesmo que por um breve momento? Como poderia Jesus ter nascido de uma mulher sujeita ao pecado?
- Lc 1,28: “Entrando, o anjo disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Maria está repleta da graça de Deus. Estando totalmente possuída por Deus, não havia, em seu coração, espaço para o pecado.
Não há na Bíblia uma afirmação explícita que Maria tenha sido concebida sem pecado original. Trata-se de uma verdade que foi ganhando corpo na vida da Igreja ao longo da história.
A doutrina da Imaculada Conceição não foi aceita por todos, nem em todos os tempos. Houve quem dissesse que Maria, uma vez fazendo parte da humanidade, teria ela também o pecado original, do qual ficou livre depois da Redenção de Cristo.
Coube ao teólogo Duns Scoto (+ 1308) dar a resposta que passaria a orientar a teologia: Maria foi preservada do pecado original em previsão dos méritos de Cristo. Isto é, não fosse essa graça especial, também ela teria tido o pecado original: “Convinha que Deus fizesse a exceção; podia fazê-la; portanto a fez!”. Convinha: como ficaria sujeita ao pecado aquela que veio para gerar Jesus Cristo, o libertador do pecado? Podia: “Nada é impossível para Deus!” Ele sabia que seu Filho derramaria o seu sangue para a salvação de todos. Podia, pois, aplicar nela, antecipadamente, os merecimentos ele obteria para a humanidade. E o fez: Maria foi preservada de todo o pecado (A definição oficial, dogmática, feita por Pio IX, em 8/12/1854 – cf. DS 2803-2804).
Assim como Cristo é chamado de “Novo Adão”, ela também é designada como a “Nova Eva”. Eva, criada na perfeição, sem pecado original, ainda assim disse não a Deus, utilizando mal a sua liberdade. Maria, no entanto, confia no Senhor e coloca a sua liberdade à disposição dos Seus desígnios: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra”.
Em relação a Maria, os cristãos não devem somente devotar admiração: ela é, principalmente, um modelo a imitar. É fonte de santidade para a Igreja: também nós, à medida em que crescemos na santidade, santificamos a Igreja.
Assim como Maria, precisamos que Cristo nos salve. Por meio de dela o Pai nos deu o Salvador. Se Deus pôde realizar nela seu projeto, também poderá realizá-lo em nós, desde que colaboremos com a sua graça, como ela o fez. Maria é a criatura humana em seu estado melhor.
4) Virgindade Perpétua
A Igreja reconhece a virgindade como permanente, ou seja, mantida ao longo de toda a sua vida. Podemos verificar em que se fundamenta esta fé:
· Virgindade antes do parto: Desde os primeiros tempos da Igreja, a afirmação da concepção virginal de Jesus é encontrado em todas as sínteses de fé (credos, símbolos dos apóstolos). Essa fé se baseia no testemunho das escrituras:
Ø (Is 7, 14) “Eis que a Virgem conceberá e dará a luz a um filho que se chamará Emanuel”. Emanuel significa Deus conosco.
Ø (Mt 1,25) “E, sem que ele (José) a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus”.
Ø Lc 1,26-35 “... o anjo Gabriel foi enviado por Deus (...) a uma virgem desposada com um homem que se chamava José (...). “Eis que conceberás e darás a luz a um filho (...). Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo (...); e o seu reino não terá fim”. Maria perguntou ao anjo: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” Respondeu-lhe o anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”.
· Virgindade depois do parto: Maria, depois do nascimento de Jesus, não teve outros filhos, nem consumou seu matrimônio com José. Os chamados “irmãos de Jesus” (cf Mc 3,31; Jo 2,12; At 1,14; 1Cor 9,5; Gl 1,19) são, na verdade, seus primos ou parentes próximos. A Escritura não somente designa com o nome de Irmãos aqueles que são filhos do mesmo pai ou da mesma mãe, mas também aqueles que são parentes próximos, como tios e primos.
A Escritura está cheia destes exemplos: Abraão chama de Irmão a Lot, seu sobrinho (Gen 11, 27; 13-8); a própria escritura diz que Lot era filho do irão de Abraão (Gen 12, 4-5). Labão também chama Jacó de irmão (Gen 29-15), quando este era seu sobrinho.
Crer na virgindade perpétua de Maria só tem sentido para aqueles que, antes, acreditam na encarnação de Deus e na realidade humano-divina de Jesus. Mas porque que Deus, para o nascimento de seu Filho, escolheu o caminho da virgindade de Maria?
1o) Jesus não é fruto de um esforço humano, mas dom de Deus. Deus toma a iniciativa e introduz o começo de uma nova humanidade, libertada do mal. Maria pertence à humanidade, mas Jesus não é prolongamento natural da criação; é ruptura: ele vem do alto.
2o) A virgindade após o parto não nasce de um menosprezo à vida matrimonial e sexual, como muitos afirmam. Maria e José colocaram-se totalmente a serviço da missão de Jesus: não viviam para si mesmos, mas para Deus. Ambos se encontram num mistério maior do que o do encontro amoroso entre o homem e a mulher.
3o) Por meio da virgindade, Maria e José mostram total disponibilidade ao desígnio de Deus. Sua existência é integralmente centrada no serviço do Messias, vivendo isso não só no espírito, mas também no seu corpo. Com essa atitude, tornam-se exemplo para multidões que, após eles, consagrarão suas vidas ao Senhor na virgindade, imitando radicalmente a forma de vida de Cristo. Renunciarão ao matrimônio e à família, não porque os consideram negativos, mas porque querem viver totalmente para Deus e para os irmãos. Maria é também modelo para aquela que deve ser a atitude básica de cada homem e de cada mulher diante de Deus: total disponibilidade e acolhida ao seu nome.
5) Assunção de Maria
Em seguida um grande sinal apareceu no céu: uma mulher revestida de Sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.” (Apo 12,1)
A humilde jovem de Nazaré, escolhida e preparada desde toda a eternidade por Deus para ser a Mãe de seu Filho Jesus, foi elevada em corpo e alma à glória do céu. Se hoje está “vestida de sol”, não se deve a um mérito seu ou a um resultado dos seus esforços, mas à escolha de Deus.
O conteúdo do dogma da Assunção não é novidade: esteve presente na fé do povo cristão já nos primeiros séculos, e começou a ser defendido de forma sistemática no século IV.
Em 1946, Pio XII consultou os bispos do mundo inteiro. Após estudos aprofundados e muita oração, decidiu-se sobre a da certeza sobre o Assunção. Também concluíram que seria conveniente uma declaração oficial nesse sentido: a Assunção deveria ser uma verdade revelada.
Não foi definido se Maria morreu ou não, somente que foi assunta.
E a assunção de Maria é absolutamente coerente: afinal, a corrupção espiritual e física do homem se deve ao pecado original. Sendo que Maria foi preservada do pecado original, não faria sentido que somente o seu espírito fosse livre das conseqüências do pecado, mas sim toda a sua pessoa. Ou seja, seu corpo e alma foram preservados do mal.
A Assunção mostra o valor do corpo humano, templo do Espírito Santo. O corpo não nos é dado para ser instrumento do pecado, para a busca do prazer pelo prazer, mas para a glória de Deus.
O dogma da Assunção nos dá uma certeza: Maria foi o primeiro ser humano a alcançar a realização final. É um sinal para cada pessoa que, olhando pra ela, crê com renovada convicção no cumprimento das promessas de Deus. Como ela, somos chamados a estar, desde já, unidos à Santíssima Trindade, com coração simples e obediente.
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